Monday, January 19, 2009

AQUI

AQUI

- Vamos, vamos!
- Calma! Eu estou me arrumando!
- Voce sabe que horas sao? Daqui a pouco e' a virada do ano e nao quero deixa-lo sozinho.
Nao quero deixa-lo sozinho.
Nao quer deixar-se sozinha.
- Pinta os meus olhos?
- Nao tenho tempo. Vamos!
Os olhos dela desviaram dos meus. Nao vou deixa-la sem make-up na virada do ano.
- Ta bom. Vem aqui.
Lapis preto em punho.
- Senta aqui. Olha pra mim.
Tracando o preto sob os verdes.
- Pronto! Lindos!
Gostava de maquiar seus olhos. Deixa-la sem maquiagem era deixar-me.
Frio. Frio? Estava frio pois era inverno. Mas nao senti frio. O que sentia era tudo. So'.
O taxi. O lugar. Descompasso entre o agora e o depois.
- Faltam quinze minutos. Deu tempo.
- Paga?
- Paga.
- O que? Eu nao...
Os verdes quase voaram pra cima de mim.
Entramos. So' ele na mente.
"Onde voce esta'? Onde voce esta'?"
Musica. Gente. Luz. Fumaca. E musica e gente e luz e fumaca.
Peguei-a pela mao. Ela me seguindo. Seguindo a desvairada.
Rostos. Funcionarios. Rostos.
- Quero encontra-lo. Nao quero que de meia-noite e ele esteja sozinho.
Telefone.
- Onde voce esta'?
- Aqui.
- Eu nao to conseguindo encontrar voce. Tem muita gente aqui.
- Na escada. Sabe a escada?
Cinco. Desliguei o telefone.
Quatro. Apertei a mao dela.
Tres. Corri entre as pessoas.
Dois. Olhei para todos os lados.
Um. "Onde e' a escada?"
- Feliz ano novo!
- Feliz ano novo!
"Nao acredito. Nao acredito."
Pessoas se abracando. Pessoas se beijando.
"E' meia-noite. Onde esta voce?"
Parei. Olhei-a. Ela me olhou. Ela estava ali. Tambem tinha motivo para ficar triste.
Abracamo-nos. Nao dissemos nada.
Sorri. Agora podia continuar.
Achei a escada.
Abri a porta.
Corri para ele.
- Feliz Ano Novo.

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